As I faced the night sky, it perched, gleaming towards me.
I felt as if it was the first encounter between us.
In fact it was; it was the first time I had met face-to-face with eternity.
Words Await:
And next year's words await another voice
sábado, 4 de fevereiro de 2012
domingo, 4 de setembro de 2011
Oito
As oito cruzes caíram. Uma por vez feito dominó.
Portuárias, agora carbonizadas. Fincadas em minhas veias estancando o mar de atingir o cais.
Lágrimas salgadas.
Um pouso leve. Quase em silêncio. As cruzes caíram. Oito cruzes pesadas. Caíram sem fragor. Viraram poeira. O meu totem imaginário. Seu significado recaindo sobre meu coração.
Cuidadosamente desfiz o primeiro nó. Mãos trêmulas. O segundo, o terceiro... Quatro nós garroteavam o meu coração agora aliviado.
O tempo repousa sobre minhas mãos, pulsante. Abluído. Calcando o porvir.
As oito cruzes caíram e você foi junto, logo em seguida. De mãos amarradas, cabisbaixa.
De costas viradas para as ruínas - um amontoado de lembranças, sussurro o meu adeus.
Portuárias, agora carbonizadas. Fincadas em minhas veias estancando o mar de atingir o cais.
Lágrimas salgadas.
Um pouso leve. Quase em silêncio. As cruzes caíram. Oito cruzes pesadas. Caíram sem fragor. Viraram poeira. O meu totem imaginário. Seu significado recaindo sobre meu coração.
Cuidadosamente desfiz o primeiro nó. Mãos trêmulas. O segundo, o terceiro... Quatro nós garroteavam o meu coração agora aliviado.
O tempo repousa sobre minhas mãos, pulsante. Abluído. Calcando o porvir.
As oito cruzes caíram e você foi junto, logo em seguida. De mãos amarradas, cabisbaixa.
De costas viradas para as ruínas - um amontoado de lembranças, sussurro o meu adeus.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Redutivelmente, eu
Os ponteiros se estacaram contra o relógio. Pausa.
Pausei.
Enquadrada e exposta sobre o que pensava ser uma cadeira - recordando-me agora daquele momento, talvez eu estivesse em pé, talvez apoiada contra a escuridão ou levitando sobre meus devaneios; sozinha naquele corredor fechado enquanto todos me cercavam por fora.
Alheios?
Prendi a respiração.
Tum, tum, tum. Onomatopeias a galopar contra meu peito, no céu da boca; saindo pelas orelhas.
Desejava decompor silabicamente o meu ser. E eu o fiz. Primeiro, os olhos - não suportava mais ver: necessitava enxergar. Depois a boca, devorando os meus lábios já cerrados. Logo em seguida, os meus seios. Tornava obsoleto, lentamente, todas as limitações carnais. E as mãos, estas sendo retiradas por último, eram mais traiçoeiras que a metafísica do coração, permitiam-me conectar quiasmaticamente com qualquer imposição que se feria contra meu corpo.
E permaneci ali. Em silêncio. Feito brisa atravessando a doçura da primavera. Quase estacionária. Meu pensamentos a palpitar, a me conduzir, vascularizar.
Em tentativas descontínuas de me reconstruir, fui-me desgastando (ou pelo menos desgastara qualquer vontade de me reconciliar com meu físico).
Percebera, então, que os ponteiros haviam voltados a se propelir circularmente.
Denso e poroso, o tempo. Propagando-se em meu vácuo.
O Eu-vácuo.
Porosamente denso e temporal, o meu vácuo. Propago-me ao palpitar.
O Eu-palpitar.
Eu. Palpito
Pausei.
Enquadrada e exposta sobre o que pensava ser uma cadeira - recordando-me agora daquele momento, talvez eu estivesse em pé, talvez apoiada contra a escuridão ou levitando sobre meus devaneios; sozinha naquele corredor fechado enquanto todos me cercavam por fora.
Alheios?
Prendi a respiração.
Tum, tum, tum. Onomatopeias a galopar contra meu peito, no céu da boca; saindo pelas orelhas.
Desejava decompor silabicamente o meu ser. E eu o fiz. Primeiro, os olhos - não suportava mais ver: necessitava enxergar. Depois a boca, devorando os meus lábios já cerrados. Logo em seguida, os meus seios. Tornava obsoleto, lentamente, todas as limitações carnais. E as mãos, estas sendo retiradas por último, eram mais traiçoeiras que a metafísica do coração, permitiam-me conectar quiasmaticamente com qualquer imposição que se feria contra meu corpo.
E permaneci ali. Em silêncio. Feito brisa atravessando a doçura da primavera. Quase estacionária. Meu pensamentos a palpitar, a me conduzir, vascularizar.
Em tentativas descontínuas de me reconstruir, fui-me desgastando (ou pelo menos desgastara qualquer vontade de me reconciliar com meu físico).
Percebera, então, que os ponteiros haviam voltados a se propelir circularmente.
Denso e poroso, o tempo. Propagando-se em meu vácuo.
O Eu-vácuo.
Porosamente denso e temporal, o meu vácuo. Propago-me ao palpitar.
O Eu-palpitar.
Eu. Palpito
terça-feira, 14 de junho de 2011
XVIII
Hoje o dia passou. Tranquilo, sem nada a me tirar da miríade dos meus pensamentos. Adiantava-se a noite. No escuro eu lia. Rabiscava. A luz avançava sobre o papel e a caneta o riscava em continuidades bruscas. Marquei a data. Pausa. O tempo. Passara-se outro ano, hoje. Passara-se outro ano em que me deleitava nos meus sofrimentos. Sadismo. Aprendi a transformar a dor em alimento. Em água; necessária e abundante.
O que significa esse tempo quando se sofre? Em casos como esses, o tempo (es)corre: dois anos viram dez. A fase do redemoinho. Dramática. Mas essa fase passa. Contemplação e conformismo vêm depois, logo em seguida, a crise. De abstinência (amargurado Platonismo). Tornar suportável ver o objeto de tortura - digo objeto pois já superei a dissociação do ‘’nós’’ – é inconcebível. Até que se contempla o sacrifício: o corpo no altar, o coração já lívido. A dessacralização desse amor, do terno conforto de seus pensamentos, parece ser um processo árduo, e é.
Sinto a tua ausência nos objetos que me circulam. Sinto mais confortável assim do que se estivesse ao teu lado. A pessoa quem és hoje já não cabe à minha imagem de ti. Hoje percebi o que me abraça é essa dor. Uma dor física. Garroteia-me. Deito-me de bruços. Tento reconstruir aquele dia. Aquele que permaneceu para trás. De nada adianta, aquele momento se dissolveu no ar. Hoje é o aniversário do ‘’nós’’, mas eu já o abandonei há tempo – e tu há muito mais. Estou melhor assim. Sozinha. Com nós. In memoriam ao nosso amor. Meu amor. Disposta a viver em contradição. Uma ferida aberta lentamente se fecha. Eu prefiro a bulir, mantendo-a aberta. Só assim eu sei; só assim lembrarei: a dor é real. Talvez essa seja a única certeza que eu tenho neste momento.
O que é o tempo para aquele que espera retornar um dia ao simulacro do seu amor? O que é o amor para aquele que amou e tardou em perceber que o amado não vai voltar?
O que significa esse tempo quando se sofre? Em casos como esses, o tempo (es)corre: dois anos viram dez. A fase do redemoinho. Dramática. Mas essa fase passa. Contemplação e conformismo vêm depois, logo em seguida, a crise. De abstinência (amargurado Platonismo). Tornar suportável ver o objeto de tortura - digo objeto pois já superei a dissociação do ‘’nós’’ – é inconcebível. Até que se contempla o sacrifício: o corpo no altar, o coração já lívido. A dessacralização desse amor, do terno conforto de seus pensamentos, parece ser um processo árduo, e é.
Sinto a tua ausência nos objetos que me circulam. Sinto mais confortável assim do que se estivesse ao teu lado. A pessoa quem és hoje já não cabe à minha imagem de ti. Hoje percebi o que me abraça é essa dor. Uma dor física. Garroteia-me. Deito-me de bruços. Tento reconstruir aquele dia. Aquele que permaneceu para trás. De nada adianta, aquele momento se dissolveu no ar. Hoje é o aniversário do ‘’nós’’, mas eu já o abandonei há tempo – e tu há muito mais. Estou melhor assim. Sozinha. Com nós. In memoriam ao nosso amor. Meu amor. Disposta a viver em contradição. Uma ferida aberta lentamente se fecha. Eu prefiro a bulir, mantendo-a aberta. Só assim eu sei; só assim lembrarei: a dor é real. Talvez essa seja a única certeza que eu tenho neste momento.
O que é o tempo para aquele que espera retornar um dia ao simulacro do seu amor? O que é o amor para aquele que amou e tardou em perceber que o amado não vai voltar?
domingo, 12 de junho de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
XV
Poderia escrever mil versos;
lamúrias do querer.
Mas ora vazia,
vejo-me acalentada
do desejo que prendia
os teus lábios
ao meu triste sonhar.
O tempo,
às vezes inoportuno,
ensinou-me
o doer de relembrar.
Mas agora,
esquecida de outrora,
as amarras se soltaram
e o que restou
foram as palavras
revoando pelo ar,
a vagar pela imensidão
do meu esqueçer.
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